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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

UMA REGIÃO CULTURAL DO NEPAL

                                                                    Imagem: http://photography.nationalgeographic.com


  O Nepal localiza-se no centro do continente asiático, fazendo fronteiras ao Norte com a China, a Leste, Sul e Oeste com a Índia. Sua população atinge aproximadamente 30 milhões de pessoas e 80% do seu território está localizado nas montanhas, na Cordilheira do Himalaia. Sua capital é Kathmandou.
  Quase isolados do mundo, porém em contato com a natureza e com o Everest, encontram-se o povo Sherpa, divididos em duas tribos que se diferenciam unicamente pela altura do lugar onde residem. A tribo Solú vive entre 2000 e 3000 metros de altura e a tribo Khombú vive entre os 3000 e 6000 metros de altura.
  Os sherpas, também são conhecidos como “leões-da-montanha”. Desde cedo eles levam grandes fardos nas costas. As crianças carregam a lenha que será usada na cozinha. As mulheres também trabalham pesado, pois são elas que garantem o alimento à família, assim como todo o trabalho doméstico.
  Os bois são ideais nas regiões altas do Nepal, pois são animais resistentes e dóceis, proporcionando trabalho e transporte de mercadorias, além de ser uma fonte de alimento. Destaca-se além dos bois, os búfalos e os iaques.
  Essa civilização é a mais avançada do Himalaia. Suas habitações são de pedra e com dois ou três andares, decoradas com esculturas muitas ao estilo romano. Cada tijolo é lapidado manualmente e os blocos para a obra são escolhidos um por um e levados em um equipamento bem rudimentar. Nas construções não é usado cimento e por isso que os tijolos têm que ser encaixados com perfeição.
  Todos os habitantes sabem ler e escrever. Os seus costumes, assim como a organização social, assemelham se ao que existiam na Europa durante a época feudal.
  Os sherpas são descendentes de monges budistas tibetanos, que no século XIII abandonaram a China em busca de terras mais férteis. Chegaram, depois de atravessar o Himalaia, às terras de Terai, mas a pobreza do solo fez-lhes retroceder até se estabelecer junto à ladeira meridional do Everest.
Instalados, os monges empenharam-se em fundar monastérios, dedicando-se aos cuidados de seus bens e de suas famílias. Os monastérios são marcas da religião budista com uma prática particular do Lamaísmo (profundo conhecimento sobre a teologia, astronomia e medicina tradicional).
  Devido a filosofia budista de compaixão e altruísmo para alcançar a iluminação, eles são pacifistas e receptivos a qualquer visitante que lá chega. Eles também mantêm uma ligação muito forte com a montanha, chamando-a de “mãe-do-mundo”.
  Na família sherpa é o homem que lidera, porém sua ausência, são as mulheres quem assumem este papel. As mulheres usam um tradicional vestido, feito de lã escura, avental enfeitado com coloridas faixas horizontais e os homens usam roupas ocidentais típicas de escalada.
  Cada família sherpa produz sua própria bebida, Chang, que é uma espécie de cerveja produzida a base de arroz. Também bebem chá, feito com sal e manteiga derretida de iaque. Sendo que deste último eles extraem o couro, a carne e leite.
  No início das luas nova e cheia, o povo sherpa vai ao campo para ler as escrituras budistas e meditar, na busca pelo nirvana. Quando um indivíduo morre, seu funeral é longo, tendo o corpo cremado, os sherpas acreditam que assim estarão encorajando a alma a procurar o renascimento, podendo este ocorrer em até 49 dias após a morte.
  Identifica-se como região cultural do Nepal, a paisagem em que há a atuação do homem com as suas especificidades (tempo histórico, político, social...), no tempo e no espaço, onde se é possível dar lugar À
subculturas (tribos). A paisagem cultural é uma paisagem concreta, onde o meio possibilita as necessidades ao homem, não sendo este determinado pelo lugar onde vive. No caso do povo sherpa, eles são totalmente
adaptados àquela região, onde conseguem viver em harmonia entre sociedade e natureza.
  Desta maneira, a adaptação humana criou uma ação modeladora, capaz de possibilitar o homem em sua cultura e criação de uma nova paisagem.
  Esses “leões-da-montanha” ao contrário do que muitos imaginam, não são determinados pelo clima da região ou pela base geomorfológica, entre outros fenômenos naturais, pois são planejadores de seu território a fim de lhe garantir a sua sobrevivência.

Texto: JOSELI ANDRADES MAIA E LEONIL ZAIKOWSKI
JORNADA ACADÊMICA DE GEOGRAFIA – PUCRS 2009

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