Geo&arte

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"As cidades são como as estrelas; É preciso amá-las para entendê-las" (Flávio Villaça)

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Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A GEOGRAFIA DAS INDÚSTRIAS

                                      Imagem: portalsaofrancisco.com.br

            O que é Indústria?
É o espaço onde ocorre o processo de transformação da matéria-prima em um produto acabado/pronto para a comercialização e consumo.
A evolução do processo industrial pode ser dividida em quatro estágios:

ARTESANATO E MANUFATURA

O artesanato foi a primeira etapa da transformação da matéria-prima, sendo ainda hoje praticado em alguns países subdesenvolvidos ou como atividade artística (feira de artesanato, por exemplo). Nesse estágio, a confecção de um objeto é realizada por um único artesão.
A manufatura é o estágio intermediário entre o artesanato e a maquinofatura. Nessa etapa, além do trabalho manual, havia o emprego de máquinas simples e a divisão do trabalho. Portanto, o trabalho era assalariado.

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A Revolução Industrial (RI) ocorreu inicialmente na Inglaterra durante os séculos XVIII e XIX, porém disseminou-se ao longo do tempo para outros países, como EUA, Japão e países europeus.
A nova atividade transformou e agilizou o que antes era chamado de artesanato ou manufatura, além de permitir a expansão do capitalismo.
Esse estágio é dividido em três etapas:
# PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, caracterizada por apresentar grandes reservas de carvão mineral e minério de ferro ainda inexplorados; Matérias-primas fornecidas pelas colônias; Excesso de mão-de-obra causado pelo êxodo rural.
A “nova indústria” (MAQUINOFATURA) tem como principal diferencial do artesanato e da manufatura, O USO DE MÁQUINAS NO PROCESSO DE FABRICAÇÃO, destacando-se a MÁQUINA A VAPOR criada em 1712 e aperfeiçoada em 1765 por James WATT.
A energia produzida pelo vapor também foi aplicada nos transportes mais utilizados na época: NAVIO e LOCOMOTIVA A VAPOR.
# A SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Na segunda metade do Século XIX (1860), a indústria assume um novo perfil, com novas descobertas tecnológicas, novos setores industriais e fontes de energia, como o PETRÓLEO E A ELETRICIDADE. A Metalurgia, a Siderurgia e o setor Automobilístico adquirem grande importância.
# A TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. A invenção do COMPUTADOR em 1946 acelerou o processo de informatização e o desenvolvimento das indústrias ligadas ao setor na segunda metade do século XX.
Nas últimas décadas do Século XX, outras inovações tecnológicas transformaram profundamente a economia industrial. O uso do computador pessoal, novas fontes de energia alternativas (SOLAR, EÓLICA, BIOMASSA, ENERGIA DAS MARÉS), a mudança na organização do trabalho (pós-fordismo) deram uma nova concepção ao termo INDÚSTRIA.
Na terceira RI surge também a “indústria da vida”, responsável pelos grandes avanços verificados na medicina e na agropecuária: a BIOTECNOLOGIA.

TIPOS DE INDÚSTRIAS
l        INDÚSTRIAS DE BENS DE PRODUÇÃO OU INDÚSTRIAS DE BASE. Produzem bens para outras indústrias, gastam muita energia e transformam grandes quantidades de matéria-prima (PETROQUÍMICAS, METALÚRGICAS, SIDERÚRGICAS e de CIMENTO). As indústrias de base geralmente estão instaladas em locais próximos ao fornecimento de matéria-primas, além de estarem diretamente ligadas à uma rede de transportes.
      Ex..............................................................................................
l       INDÚSTRIAS DE BENS DE CAPITAL OU INTERMEDIÁRIAS. Produzem máquinas, equipamentos, ferramentas ou autopeças para outras indústrias (COMPONENTES ELETRÔNICOS E MOTORES PARA CARRO OU AVIÕES). Estão geralmente instaladas nos maiores centros urbanos-industriais.
       Ex..............................................................................................
l        INDÚSTRIAS DE BENS DE CONSUMO. Estão divididas em Duráveis: AUTOMÓVEIS, ELETRODOMÉSTICOS, MÓVEIS e Não-duráveis: ALIMENTOS, VESTUÁRIO, REMÉDIOS E CALÇADOS. São indústrias mais numerosas, com uma produção voltada para o maior contingente populacional.
      Ex. 1...........................................................................................
Ex. 2 ..........................................................................................
FATORES LOCACIONAIS
# MATÉRIAS-PRIMAS: minerais e agrícolas
# ENERGIA: petróleo, gás e eletricidade
# MÃO-DE-OBRA: qualificada ou não
# MERCADO CONSUMIDOR: disponibilidade de renda ($)
# REDE DE TRANSPORTE VIÁVEL: rodoviário, ferroviário, hidroviário, etc.

Adaptado de Fronteiras da Globalização,
Lúcia de Almeida & Tércio Barbosa, 2010.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

UMA REGIÃO CULTURAL DO NEPAL

                                                                    Imagem: http://photography.nationalgeographic.com


  O Nepal localiza-se no centro do continente asiático, fazendo fronteiras ao Norte com a China, a Leste, Sul e Oeste com a Índia. Sua população atinge aproximadamente 30 milhões de pessoas e 80% do seu território está localizado nas montanhas, na Cordilheira do Himalaia. Sua capital é Kathmandou.
  Quase isolados do mundo, porém em contato com a natureza e com o Everest, encontram-se o povo Sherpa, divididos em duas tribos que se diferenciam unicamente pela altura do lugar onde residem. A tribo Solú vive entre 2000 e 3000 metros de altura e a tribo Khombú vive entre os 3000 e 6000 metros de altura.
  Os sherpas, também são conhecidos como “leões-da-montanha”. Desde cedo eles levam grandes fardos nas costas. As crianças carregam a lenha que será usada na cozinha. As mulheres também trabalham pesado, pois são elas que garantem o alimento à família, assim como todo o trabalho doméstico.
  Os bois são ideais nas regiões altas do Nepal, pois são animais resistentes e dóceis, proporcionando trabalho e transporte de mercadorias, além de ser uma fonte de alimento. Destaca-se além dos bois, os búfalos e os iaques.
  Essa civilização é a mais avançada do Himalaia. Suas habitações são de pedra e com dois ou três andares, decoradas com esculturas muitas ao estilo romano. Cada tijolo é lapidado manualmente e os blocos para a obra são escolhidos um por um e levados em um equipamento bem rudimentar. Nas construções não é usado cimento e por isso que os tijolos têm que ser encaixados com perfeição.
  Todos os habitantes sabem ler e escrever. Os seus costumes, assim como a organização social, assemelham se ao que existiam na Europa durante a época feudal.
  Os sherpas são descendentes de monges budistas tibetanos, que no século XIII abandonaram a China em busca de terras mais férteis. Chegaram, depois de atravessar o Himalaia, às terras de Terai, mas a pobreza do solo fez-lhes retroceder até se estabelecer junto à ladeira meridional do Everest.
Instalados, os monges empenharam-se em fundar monastérios, dedicando-se aos cuidados de seus bens e de suas famílias. Os monastérios são marcas da religião budista com uma prática particular do Lamaísmo (profundo conhecimento sobre a teologia, astronomia e medicina tradicional).
  Devido a filosofia budista de compaixão e altruísmo para alcançar a iluminação, eles são pacifistas e receptivos a qualquer visitante que lá chega. Eles também mantêm uma ligação muito forte com a montanha, chamando-a de “mãe-do-mundo”.
  Na família sherpa é o homem que lidera, porém sua ausência, são as mulheres quem assumem este papel. As mulheres usam um tradicional vestido, feito de lã escura, avental enfeitado com coloridas faixas horizontais e os homens usam roupas ocidentais típicas de escalada.
  Cada família sherpa produz sua própria bebida, Chang, que é uma espécie de cerveja produzida a base de arroz. Também bebem chá, feito com sal e manteiga derretida de iaque. Sendo que deste último eles extraem o couro, a carne e leite.
  No início das luas nova e cheia, o povo sherpa vai ao campo para ler as escrituras budistas e meditar, na busca pelo nirvana. Quando um indivíduo morre, seu funeral é longo, tendo o corpo cremado, os sherpas acreditam que assim estarão encorajando a alma a procurar o renascimento, podendo este ocorrer em até 49 dias após a morte.
  Identifica-se como região cultural do Nepal, a paisagem em que há a atuação do homem com as suas especificidades (tempo histórico, político, social...), no tempo e no espaço, onde se é possível dar lugar À
subculturas (tribos). A paisagem cultural é uma paisagem concreta, onde o meio possibilita as necessidades ao homem, não sendo este determinado pelo lugar onde vive. No caso do povo sherpa, eles são totalmente
adaptados àquela região, onde conseguem viver em harmonia entre sociedade e natureza.
  Desta maneira, a adaptação humana criou uma ação modeladora, capaz de possibilitar o homem em sua cultura e criação de uma nova paisagem.
  Esses “leões-da-montanha” ao contrário do que muitos imaginam, não são determinados pelo clima da região ou pela base geomorfológica, entre outros fenômenos naturais, pois são planejadores de seu território a fim de lhe garantir a sua sobrevivência.

Texto: JOSELI ANDRADES MAIA E LEONIL ZAIKOWSKI
JORNADA ACADÊMICA DE GEOGRAFIA – PUCRS 2009